Monday, June 05, 2006









Aula 21



Como reagir a uma”Crise”



Comunicação de crise é tudo aquilo que se faz na sequência de uma situação adversa (geralmente, bastante adversa: o incêndio numa fabrica, o escândalo do candidato, o atentado bombista, a demissão do ministro, o produto estragado que mata varias pessoas) para posicionar a versão do protagonista atingido, garantir a sua intervenção nos meios e transmitir uma posição de abertura, transparência (uma vez que a sua posição está fragilizada e a atenção da opinião pública /meios de comunicação é muito maior).
Regra essencial da Comunicação de Crise: Nunca Mentir: “a verdade vem sempre à superfície”.
Pior do que as consequências de uma crise é as consequências de não reagir à crise ou seja deixar queimar em lume brando, aumentar as suspeitas, calúnias, sem reagir, aumentar as criticas, rumores; mina as relações de credibilidade e confiança entre empresa e clientes/fornecedores ou do político com a opinião pública; “não temos nada a dizer” O quem vem logo a mente das pessoas é este pensamento”Estão a esconder alguma coisa”.


Hoje em dia qualquer organização e país estão vulneráveis a crises. A diferença é que alguns estão bem mais preparados para reagir principalmente do ponto de vista da comunicação, sabem administram melhor os problemas e estão preparados para enfrentar as “crises”. Outros permitem que os os factos, ou boatos, destruam a boa reputação da empresa ou país. "A maioria das crises de imagem, se bem administrada, podem ser superadas com relativa facilidade. Mas de que modo devera agir uma empresa em tempo de crise??

- Primeiro definir o problema real a curto e longo prazo e assumir o pior cenário possível face ao que nos podemos encontrar. Isolar e conter o problema e reconhecer o valor de fazer sacrifícios a curto prazo para obter benefícios em pouco tempo.
- Situar os assuntos em perspectiva e identificar aliados qualificados e credíveis e inimigos claros e possíveis face ao rumo que possam tomar os acontecimentos (diferentes cenários).
- No momento de criar o comité de crise (que deve estar previsto no plano de crise), há que evitar depender de uma só pessoa e tentar que este comité seja o mais multi -disciplinar possível.
- Isolar o comité do dia a dia e concentrar os melhores recursos na gestão da crise.
- Outras coisas podem esperar mas a crise não espera, acontece.
- Nomear um porta-voz capaz de enfrentar a situação desde o ponto de vista físico, emocional e técnico. Deve estar preparado para o pior cenário possível.- Centralizar e controlar o fluxo de informação
- A nível interno e externo. Não podemos fazer face a sistemas de informação paralelos que não estejam sob o nosso controlo.- Prepararmo-nos para a presença mediática (costuma ser imprescindível). Devemos entender e respeitar a função da Imprensa e as rotinas jornalísticas (Notícias + Culpado).

Mas será que todos as pessoas acham que uma crise é sempre má? Afinal de contas parece e há mesmo quem diga que uma crise até pode ser boa!!


Na manhã de quinta-feira de 11 de Março de 2004, 10 mochilas com Trinitrotolueno(TNT) explodiram em quatro comboios em quatro pontos diferentes da região de Madrid na capital de Espanha.

As explosões ocorreram durante a hora de ponta, entre as 7:39 e as 7:42 da manhã nas estações madrilenas de Atocha (3 bombas), El Pozo del Tío Raimundo (2 bombas), Santa Eugenia (1 bomba) e num comboio a caminho de Atocha (4 bombas).
Os atentados causaram pelo menos 192 mortos e 2050 feridos.
Logo de imediato o governo espanhol atribuiu a autoria dos atentados à ETA baseando-se na prova que os explosivos eram os mesmo que a organização terrorista espanhola usava nos atentados. Mas como no futuro se iria provar a ETA não tinha capacidade logística para perpetrar um atentado daquele género. De imediato elementos ligados a ETA reagiram dizendo:” A organização ETA não tem nenhuma responsabilidade sobre os atentados de ontem.

No dia do atentado da parte da tarde foi encontrada, na região de Madrid, uma fita com cassete de orações em árabe numa carrinha com detonadores. Tudo começava a encaixar-se para o ataque ter sido efectuado pela AL Qaeda e só o governo espanhol mantinha a tese que tinha sido a ETA.

Tendo acontecido a três dias das eleições gerais no país, o impacto emocional atentados acabaram por provocar uma reviravolta nas eleições: o conservador Partido Popular, do primeiro ministro espanhol, José Maria Aznar, aliado de primeira hora do presidente George W. Bush nas guerras contra o Iraque e contra o terrorismo internacional, acabou derrotado pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), cujo candidato, José Luis Rodríguez Zapatero, prometera durante a campanha retirar as tropas espanholas do Iraque.

O favorito Aznar até as 7h39m do dia 11 de Março, quando explodiram as primeiras bombas no comboio da Estação de Atocha, o partido PP viu a onda de comoção e indignação nacional causada pelo massacre transformar-se numa enxurrada de votos para os socialistas, que voltam ao poder após oito anos afastados do Palácio de La Moncloa. Para os analistas políticos, o apoio do governo à invasão do Iraque pelos EUA em 200 e a tentativa de enganar o povo espanhol atribuindo a Eta o atentado de 11 de Março foram os factores decisivos na derrota do PP.
Na noite anterior às eleições, milhares de pessoas se reuniram-se em cidades de todo o país em frente a sedes do Partido Popular, do presidente do governo espanhol, José María Aznar, exigindo transparência nas investigações sobre os responsáveis pelos atentados. Os manifestantes disseram que o governo mentiu quando apontou o grupo terrorista basco ETA como responsável pelo 11 de Março. A própria imprensa espanhola denunciou a tentativa frustrada de Aznar de influenciar os jornais do país a defender esta informação. No dia das eleições José Maria Aznar sofreu com a mão pesada do povo espanhol por ter mentido acerca dos atentados e por ser um peão nas mãos do presidente norte americano. Para os mais supersticiosos fica a possível explicação porque o ataque foi efectuado no dia 11 de Março de 2004.
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Sérgio Silva
Nº135

Thursday, June 01, 2006

Aula 20



“ O Cérebro de Bush”



Pode dizer-se que o caso Plame é o escândalo mais difícil de ser digerido pelo presidente dos Estados Unidos, desde que chegou ao poder, em Janeiro 2001 para além de ter como protagonistas os rostos que governam os EUA. Além de mostrar uma Casa Branca vingativa, que não tolera críticas, sobretudo se foram feitas contra a guerra que Bush lançou contra o Iraque em 2003 e que deixou em maus lençóis os seus colaboradores mais próximos, o vice-presidente Richard Cheney e o seu cérebro político, Karl Rove.
O Juiz, Patrik Fitzgerald investiga, desde Dezembro 2003,com o objectivo de descobrir se alguém do governo revelou que Valerie Plame era agente secreta da CIA, em represália ao facto de ser esposa do embaixador dos Estados Unidos no Gabão, Joseph Wilson. O pecado deste diplomata foi denunciar, publicamente, a falsidade dos argumentos centrais de Bush, para justificar a guerra contra o Iraque ou seja que Saddam Hussein tentava comprar urânio na Nigéria para fabricar armas nucleares.
Em Fevereiro 2002, Wilson viajou para o país africano, enviado pela CIA, para averiguar se a acusação tinha algum fundo de verdade. No seu regresso informou o presidente Bush que não tinha encontrado provas mas pouco tempo depois Bush empregou-a contra Saddam no seu discurso sobre o estado do país, a 28 de Janeiro 2003 dizendo que tinha provas da existência de armas de destruição maciça no Iraque. Apenas dois meses mais tarde, ordenou a invasão. A 6 de Julho desse ano, Wilson publicou no The New York Times um artigo no qual denunciou a falsidade da acusação de Bush. Oito dias depois, o trabalho secreto da sua esposa foi revelado no The Chicago-Sun Times, pelo colunista Robert Novak, que citou como fonte dois altos funcionários do governo.

Fitzgerald, que é uma espécie de Eliot Ness diplomado em Harvard e com sentido de humor, segundo a descrição dele feita quando o encarregaram do caso, mandou sentar no “banco” dos réus os grandes amigos de Bush, começando por Karl Rove, arquitecto das vitórias eleitorais do presidente e visto no mundo da politica com o verdadeiro Spin Doctor.
Lewis Scooter, chefe de gabinete e assessor político de Cheney, também falou de Plame com os jornalistas e com Rove.

As vítimas desta conspiração foram Plame, 42 anos, que ocultava ser agente da CIA, fazendo-se passar por analista financeira duma empresa de Boston, e o seu marido, o diplomata de 55 anos, que deixou o serviço para se dedicar a uma consultadoria internacional.

O colunista Robert Novak, foi o peão no caso Plame, embora nunca tenha revelado as suas fontes e não foi chamado a depor, pelo que se crê ter cooperado com o Juiz Fitzgerald. Fala-se também no envolvimento neste caso do jornalista woodward que no passado já esteve ligado ao caso Watergate.

A maior vitima do sistema bush entre os jornalistas foi Judith Miller. Esta repórter do New York Times, questionada acerca da tese de Bush nos seus artigos sobre a guerra do Iraque, passou 85 dias na prisão, por se negar a revelar suas fontes, se bem que não tenha chegado a escrever sobre o tema. Testemunhou depois que não se lembrava quem lhe revelou a identidade de Plame, embora tenha falado dela com Libby.Outros jornalistas interrogados durante a investigação foram Tim Russert da cadeia NBC e Glenn Kessler do The Washington Post.Além de procurar quem revelou a identidade de Valerie Plame, Fitzgerald investigou se houve delitos de perjúrio, obstrução à justiça, destruição de provas ou intimidação de testemunhas para encobrir a revelação do trabalho secreto desta agente da CIA.

Libby declarou que foi o seu superior, o vice-presidente Cheney que lhe revelou a verdadeira identidade de Plame, perguntado ao então director da CIA, George Tenet, que também foi entrevistado por Fitzgerald. No entanto, tanto Cheney como Libby têm, legalmente acesso à informação secreta do governo, devido a seus cargos, pelo que não seria ilegal se falassem de Plame, a menos que o juiz pudesse determinar que o fizeram com a intenção expressa de revelar, publicamente, a sua identidade secreta.

Agora irei abordar com mais profundidade a situação da jornalista americana Judith Miller do New York Times que já em 2001 no pós 11 de Setembro tinha sido alvo de ataque com antrax - foi presa nos Estados Unidos e o caso está a incendiar a revolta na opinião pública contra as mentiras de Bush. Debaixo de fogo está Karl Rove, aquele a quem na gíria chamam de “Bush`s Brain” “a cabecinha pensadora” do Presidente.
Os antecedentes são muitos a começar pelos tiros de canhão americanos contra os jornalistas no Hotel Palestina em Bagdad que assassinaram o repórter espanhol José Couso e levaram à expulsão da rede de Televisão AlJazeera, episódio agora relatado no documentário "Control Room", que culmina noutro assassinato, desta vez do repórter Tarek Ayoub da mesma cadeia de TV, durante a sangrenta chacina de Fallujah.

O sargento Rumsfeld, disse na altura que a Al Jazeera “servia os interesses” e que “era um instrumento” de Saddam Hussein e dos terroristas da Al Qaeda, determinando desta forma contundente a manipulação — e a submissão — das grandes redes de TV e jornais à “informação” dada pelos oficiais encarregados de distribuir notícias sobre as operações das tropas.

O Medo da prisão leva os média norte-americano à auto censura - O director do “Cleveland Plain Dealer”, Doug Clifton, decidiu não publicar duas investigações jornalísticas da “maior importância” porque o trabalho se baseia em documentos obtidos de forma ilícita e receia vir a enfrentar uma pena de prisão, como sucedeu com Judith Miller, a repórter do “New York Times” que se recusou a revelar as suas fontes.

“sujo”, controlo dos acontecimentos, manipulação, campanhas negativas, destruir opositores; não há regra que ele não quebre para ajudar o seu candidato; sabotagem dos adversários; invisível (sabe-se que existe mas não se sabe directamente o que faz); convenceu GWB de que ele poderia ser presidente, se fosse governador do Texas; quando representa um candidato está encarregado de tudo; nunca assume (alguns dos casos são crimes); utilização de fugas selectivas de informação; inventou a guerra do Iraque por razões políticas

GWB tem total confiança nele:
- pertence ao seu círculo íntimo
- tem muito poder (embora invisível)
- o seu currículo está cheio de casos de sabotagem
- muito esperto, com formação política (republicana
- Há mais de 20 anos que trabalha com a família Bush



Rove entrou para a política aos 19 anos, filiando-se nos College Republicans, cuja presidência ganhou em 1973, num processo em que desacreditou os adversários: da convenção saíram dois presidentes, Rove e Robert Edgeworth, e foi o presidente da Comissão Nacional Republicana, George H.W. Bush, que decidiu dando a vitória a Rove.Desde então, Rove vive e respira política, nunca se tendo sequer formado. A primeira vitória foi em 1978, quando ajudou a eleger o republicano Bill Clements governador do Texas, estado que os democratas ganham por tradição.Depois de ser chefe de gabinete de Clements, fundou em 1981 a Karl Rove & Company, e sistematicamente os seus clientes foram ganhando eleições.
Quando, em 1994, Rove toma conta da campanha de George W. Bush para governador, já tinha reputação de trabalhador incansável, que nos bastidores preparava os clientes para uma vitória certa, e era visto pelos financiadores como o indicador seguro do "cavalo" em que deveriam apostar. A vitória de Bush foi conseguida com muito treino e bastidores, não só quanto à forma de actuar, mas também sobre o que o eleitorado queria ouvir, independentemente das posições do candidato.


Desde que o presidente George W. Bush foi eleito governador do Texas pela primeira vez com a ajuda do consultor Karl Rove, em 1994, a trajectória política dos dois está intimamente ligada. Karl Rove foi mais uma vez essencial na campanha - neste caso, a que levou o chefe dele ao segundo mandato presidencial. No discurso de vitória, o presidente Bush fez questão de reservar um agradecimento especial "ao arquitecto Karl Rove". Mas agora que Bush chegou ao ponto máximo e Rove não tem que se preocupar com uma próxima eleição para o chefe, quais vão ser os objectivos deste consultor elogiados por uns, criticado por outros mas considerado um prodígio por quase todos? A cumplicidade entre bush e Rove já pode ser vista na sétima arte através do filme “Bush`s Brain”.
"O que Karl Rove sabe fazer é ganhar eleições, e a agenda dele agora é fortalecer a posição do Partido Republicano nos Estados Unidos independentemente de Bush", diz o cientista político Mark Rom, professor da Instituto de Políticas Públicas da Universidade Georgetown, em Washington."Com certeza Karl Rove é um filtro e explica ao presidente como certas políticas vão afectar a popularidade dele. Acho que ele tem também alguma influência no modo como as políticas são apresentadas, mas acredito que as decisões do presidente são mais influenciadas por outros assessores", opina o cientista político John Todd, da Universidade do Norte do Texas.
Para o cientista político Mark Rom, Karl Rove pode adaptar-se a ventos mais liberais se tiver que trabalhar, no futuro, directa ou indirectamente, com estrelas em ascensão do partido republicano, que têm posições bem menos socialmente conservadoras do que o presidente Bush, como o ex- presidente de Nova York, Rudolph Giuliani, e o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger."A filosofia política de Karl Rove é ganhar votos", diz Rom.Sejam quais forem os planos de Karl Rove, todos concordam que ele deve executá-los como sempre fez: em silêncio e agindo nos bastidores para pegar os adversários de surpresa.

Frase Da Semana

Se fosse líder partidário, e por muito que estivesse em dificuldades, convocaria Karl Rove para dirigir a campanha eleitoral, mesmo que à distância e por videoconferência. Era vitória certa”.

Autor - Luís Delgado
Fonte – Diário de Noticias
Publicado em – 21/12/2004

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Sérgio Silva
Nº135

Thursday, May 25, 2006

Aula 19

Manobras na Casa Branca


Depois do presidente dos Estados Unidos ter sido acusado de abuso sexual, poucos dias antes das eleições, o chefe do staff presidencial, com a ajuda de um produtor de Hollywood, encena uma guerra virtual que irá servir como manobra de diversão para fazer esquecer o escândalo sexual .O objectivo era inventar ou poderemos mesmo dizer ludibriar uma história em que os seus mentores estariam dispostos a leva-la até as últimas consequências.

Antes do escândalo, o então presidente liderava todas as sondagens e era tido como líder do país para os próximos quatro anos.Diante da situação e do curto espaço de tempo e de manobra tudo teria que ser feito de forma rápida, Conrad Brean (Robert De Niro) é convidado para resolver a situação e garantir ao presidente a reeleição. Esta personagem interpretada por Robert de Niro é digamos “um especialista em criar manobras de diversão”.

A primeira medida tomada pelo” mágico” é de criar uma guerra. A explicação para esta medida era simples: "Com a nova notícia, a imprensa criaria ícones que seriam imediatamente associados à imagem do presidente, além de distanciar da media o escândalo sexual na Casa Branca".
A segunda medida foi contratar Stanley Motss (Dustin Hoffman), um famoso produtor de Hollywood, para cuidar das imagens, música e toda parte de publicidade necessária para "vender" aos jornalistas uma nova imagem do presidente. Aqui poderemos falar de marketing politico: saber informar e comunicar com o eleitor, é saber orientar e direccionar as ideias do partido/candidato/governo em função das necessidades que se detectam e definir claramente quem é o público a que se está a servir (o segmento de mercado) e potenciar relações duradouras com esse público alvo.


Depois de alguns dias em "tempos de guerra" com a Albânia, um país fora do cenário político mundial, a CIA descobre que o suposto conflito entre os dois países não passa de uma farsa. Então, um telejornal anuncia que o "conflito" com a Albânia foi apaziguado. Brean imediatamente diz que "a guerra acabou". A equipa de produção contesta dizendo que não, mas sua experiência não lhe deixa falhar e argumenta: "Claro, é verdade, passou na televisão". Esta frase leva a uma ideia que é mundial ou seja tudo que passa na televisão é verdade e as pessoas devem acreditar cegamente.

Mas a história ainda não tinha chegado ao fim pois Brean não desiste e cria um pseudo herói.Um soldado que não voltou da guerra e que se encontra prisioneiro nas mãos do inimigo. O povo americano é relativamente frágil a este tipo de argumentos devido ao Vietname que custou a vida a milhares de soldados americanos e alguns que desapareceram . Mas esta mentira acabou por dar certo mais uma vez.O filme foi gravado em apenas 29 dias e retrata dois aspectos importantes e O primeiro aspecto é óbvio e mais abrangente, mas não se pode deixar de observá-lo.

No passado já vimos que a aliança entre o poder politico e os meios de comunicação social podem causar dissabores ao mundo como a chegada ao poder de pessoas como Adolfo Hitler e Benito Mussolini. Estes dois tiranos chegaram ao poder através de uma campanha eleitoral muito bem preparada pelos seus consultores políticos e de imagens e com a preciosa ajuda dos meios de comunicação social.
Embora seja apenas um filme na minha opinião poderia acontecer na vida real.Joseph Goebbels, ministro das comunicações do partido nazista, dizia que "uma mentira dita 100 vezes se torna uma verdade". Assim, fica claro que uma mentira, dita nos meios de comunicação social, é uma verdade.
Embora isto seja um filme demonstra bem o facto como os media e o público em geral podem ser manipulados pelo governo e pelas suas assessorias.


O ano de 2004 ficou marcado pela chegada do terrorismo em grande escala à Europa, com os atentados de 11 de Março em Madrid.

Entre as 7h30 e as 7h33 de 11 de Março, quando centenas de espanhóis dirigiam-se para os seus empregos na capital espanhola, dez mochilas -bomba explodiram dentro de quatro comboios suburbanos que entravam em três estações centrais da cidade: Atocha , Pozo e Santa Eugenia.
Cento e noventa pessoas morreram e cerca de 1 500 ficaram feridas.

As imagens de corpos e ferros retorcidos espalhados pela linha do comboio, tomada em poucos minutos por centenas de socorristas, e o som de dezenas de telemóveis a tocar sem parar nos bolsos dos corpos sem vida, horrorizaram a Europa e o mundo. À memória, veio de imediato o 11 de Setembro de 2001.

A primeira grande consequência revelou-se em apenas três dias, dia de eleições legislativas em Espanha, com o socialista José Luís RodríguezZapatero a vencer, contra todas as previsões, o sucessor de José Maria Aznar , Mariano Rajoy.

Foi uma vitória conseguida muito à custa da insistência de Aznar em responsabilizar a ETA, e os separatistas bascos, pelos atentados. Os espanhóis não perdoaram a mentira já que a dimensão do ataque e as pistas apontavam já para o terrorismo islâmico. Por tudo isto, o primeiro-ministro então eleito, Zapatero , prometeu no seu discurso de vitória que a luta contra o terrorismo seria a sua principal prioridade.
Na minha opinião foi uma tentativa falhada por parte de José Maria Aznar que tentou manipular uma nação inteira através dos órgãos de comunicação social” Antes de se dirigir à nação, Aznar telefonou a todos os directores dos principais jornais, emissoras de televisão e rádio do país para lhes garantir sua "convicção" de que ETA era responsável pelo atentado.


Declaração da Semana

"Ha sido ETA, no tengas la menor duda", disse textualmente o premiê a Antonio Franco, diretor de El Periódico, de Barcelona. Em artigo publicado na terça-feira (16/3), o jornalista relata que essas foram as palavras do presidente de governo no primeiro telefonema, realizado por volta de 13h30. Com a garantia presidencial, decidiu a manchete da edição extra que iria para as bancas pouco depois: "El 11-M de ETA". Na página interna destacou: "El Gobierno acusa a ETA y califica de 'miserable' el rumor de que los autores podían ser islamistas".
Sérgio Silva
Nº135

Friday, April 28, 2006


Aula 18

Afinal o que é um Spin Doctor??

“To spin” em inglês significa «fazer girar» mas sobretudo no caso da expressão spin doctor «dar efeito a uma bola» para esta mudar de trajectória e enganar o adversário"

Spin Doctor é uma área das relações publicas mas não desempenha essas funções porque não deve contactar directamente embora possa ter a fachada de assessor politico, alguém que tenta influenciar a opinião pública através de uma informação favoravelmente manipulada, apresentada ao publico ou aos media, com vista a ganhar, no imediato ou a mais tarde, eleições”. Normalmente esta personanagem é desenpenhada por um ex jornalista, ex politico ou ex publicitárioexplorar quais os meios mais apropriados para alcançar os objectivos dos seus partidos ou candidatos”.

Spin doctor/spin – “Assessor de mídia ou consultor político contratado em uma campanha para garantir que o candidato receba a melhor publicidade possível em uma dada situação. Por exemplo, após um debate entre candidatos à Presidência, o spin doctor de cada candidato procura os jornalistas para mostrar-lhes os pontos fortes de seu candidato e tentar convencer a imprensa e, por extensão, o público, de que seu candidato “venceu” o debate. Quando esses assessores de mídia estão trabalhando, diz-se que estão fazendo spinning ou pondo spin (colocando efeito) em uma situação ou um evento”.
As funções do Spin Doctor são:

-influenciar- manipula (altera/constrói) a informação
- constrói a opinião (reviravoltas)
- aconselha- não é o assessor de imprensa
- inventores de imagens/ideias
- recurso a grupos de controlo- selecciona as ideias fundamentais, em função da opinião pública, aquelas que ela tem de saber/receber, quando e como é que; (não tanto as melhores, mas as que querem passar; geralmente até são as mais negativas)

-são discretos (o lugar que ocupam na hierarquia é irrelevante, até pode não ter ligação efectiva), a desregulamentação da actividade… muitas vezes a sua existência até é negada- acesso directo ao poder (tem muito poder) e relação de confiança com esse poder.
- insensíveis à necessidade de transparência (recorre muitas vezes à “campanha negativa” ou negra)- conhecer meandros da comunicação e do marketing.
- não deixa impressões digitais directas (não costuma aparecer), embora se possa atribuir (isto é, não há uma atribuição directa a determinada pessoa, que apareça a reclamá-la; “isto fui eu que fiz”) talvez mais tarde isso possa acontecer mas não no momento imediato - até porque ninguém gosta de ser manipulado.
- alimentar a opinião pública através de factos políticos que são divulgados pela comunicação social (que deve controlar de alguma forma), mas também podem ter de tratar de influenciar grupos de decisão (um parlamento?)- criar mensagens (“frases assassinas”/sound bites) e gerir informações (exclusivos).

Os dez mandamentos do Spin Doctor:

-Haver um só maestro(centralizar a informação)
-Jogar bem (não tolerar fifias)
-A mensagem nada mais que a mensagem
-Alimentar os meios de comunicação a tempo e horas
-Guardar os bons pedaços(cachas e fugas) para os amigos
-Marmelar a informação
-Tomar constantemente o pulso a opinião pública
-Testar e medir cada decisão (grupos de controlo)
-Roubar ao adversário os melhores argumentos
-Enfeitar ameaçar por vezes bater



Autor - Luís Delgado
Fonte - diário de noticias
Publicado em – 03/04/2006




Autor - Luís Nazaré
Fonte - Jornal de Negócios
Publicado em-24/08/2004
Pensamento da semana
Autor - Luís Delgado
Fonte - Diário de Noticias
Publicado em - 03/04/2006

AULA 17


Boris: filme e realidade??


Quem ainda duvida das artes, manhas e das artimanhas do marketing político eleitoral, uma recomendação urgente: dirigiam-se ao clube de vídeo mais próximo e aluguem um filme chamado "Boris(Spinning Boris no original. É apenas uma produção baseada em factos reais que constitui uma soberba lição de política e história sobre a força e a importância que a figura do consultor politico adquiriu nas eleições em todo o mundo. Com a contundência de um documentário, o filme ("Spinning Boris", no título original), dirigido por Roger Spottiswoode, mostra em 98 minutos a improvável virada que os três consultores políticos americanos, provocaram na eleição presidencial da Rússia, em 1996, viabilizando a impensável reeleição de Boris Yeltsin.

Quando chegaram a Moscovo,os consultores do Partido Democrata George Gorton, Dick Dresner e Joe Shumate encontraram o presidente com apenas 6% nas sondagens, contra os 31% do líder, o comunista ortodoxo Gennady Zyuganov. Contratados pelo grupo de Yeltsin para inverter estes numeros, o trio americano começou logo a trabalhar: a primeira medida foi pôr o presidente a sorrir e dar uma volta de 360 graus na campanha eleitoral. Começaram por modificar os discursos de Yeltsin, que chegavam a durar quatro horas. Tiraram o homem do gabinete e fizeram-no plantar árvores e beijar crianças algo inédito num país como a Russia. O eleitorado russo começou a ceder aos encantos deste "novo" homem.

A 96 dias da eleição, Yeltsin passou para 9%, enquanto Zyuganov diminui para 28%. O candidato apoiado pelos americanos começou a adoptar um tom familiar cada vez mais sorridente, que garantiam que o voto dos russos nele seria "para o bem de seus filhos". O Presidente aparecia dançando ao ar livre num parque em Moscovo. A 76 dias do pleito, Yeltsin atingiu os dois dígitos: 12% contra 24% de Yuganov.

Numa prova de que, a geopolítica fala alto na eleição das superpotências, Bill Clinton entrou na campanha, em Abril de 96, na reunião do G-7, os setes países mais ricos do mundo, realizada coincidentemente em Moscovo: derreteu-se em elogios a Yeltsin, que com ele fazia, "o mundo mais seguro", lembrou que 60% da economia russa agora estava em mãos do povo, não do Estado, e atacou a plataforma comunista do seu adversário. Tudo o que o companheiro Bill disse sobre o camarada Boris na Praça Vermelha estava, por acaso, num memorando que o trio de consultores mandara, dias antes, para a Casa Brasa. Para Clinton, que tentaria ser reeleito em Novembro, nada melhor do que uma vitória de Yeltsin em Junho.

O povo russo adorou o discurso do presidente americano. A 46 dias da ida as urnas a eleição estava ao rubro 20% para Yeltsin, contra 22% de Yuganov.


Alojados numa suíte vip de um hotel cinco estrelas, os americanos eram praticamente , prisioneiros em Moscovo, sem liberdade para se movimentar pela cidade. "Seria demais para o orgulho nacional", explicou um general da turma de Boris, por isso, quando houve o primeiro rumor da presença do trio na Rússia, numa pequena nota no The Wall Street Journal, o staff de Yeltsin exigiu um desmentido. "Nunca minta para a imprensa", ensinou Gorton, recusando o pedido. Apesar da subida nas grandes cidades Yeltsin continuava mal no meio rural. Os colaboradores americanos descobriram que, mais do que terras, os agricultores suspiravam por segurança. "Se os comunistas ganham, eles matam os ricos e os ricos contratam gente para matar os comunistas.

Estamos cansados de guerra", desabafa uma camponesa na reunião de pesquisa qualitativa. "É a inquietação civil, estúpido", conclui Dick Dresner, descobrindo que, o medo na Rússia era tão importante quanto a esperança. "Pior do que Yeltsin, só a volta ao comunismo", diziam os eleitores na pesquisa de análise de percepção.

Dias depois, a propaganda de Yeltsin mostra imagens ldos massacres bolcheviques de 1917, com uma voz soturna ao fundo dizendo: "Mantenha a Rússia segura!". Em 16 de junho de 1996, como garantia teimosamente o trio americano para a céptica assessoria do presidente, Yeltsin conquista 35,2% dos votos – e derrota Yuganov por 3%. Dias depois, a história secreta dos consultores americanos que transformaram uma derrota anunciada em vitória era capa da revista Time.


Ronald Kuntz sintetizou alguns dos sinais seguros de que um candidato está a enganar um eleitor.
Em jeito de manual de sobrevivência , um candidato está a tentar enganar um eleitor quando:

-Tem soluções para todos os problemas

- Gasta muito tempo a criticar os adversários e a atiçar ódios, inveja e revolta dos eleitores

- É incapaz de responder objectivamente a uma pergunta clara e desenvolve a capacidade de dizer, sempre, aquilo que se quer ouvir

- Não tem inimigos durante a campanha

- Faz-se de vítima e opta por não esclarecer boatos e calúnias

- Já ocupou cargos públicos, mas insiste em criticar e denegrir a classe política, como se não fizesse parte dela

- Promete resolver problemas que não estão sob a sua responsabilidade.







Sérgio Silva
Nº135

Aula 16

Como levar uma “marca” ao sucesso

Luís Paixão Martins que actualmente trabalha para a agencia LPM Comunicação veio ao ISLA para abordar alguns assuntos como a influencia que um relações publicas pode ter numa campanha eleitoral. Nas eleições autárquicas tinha nove câmaras (seis do PS, duas do PSD e uma da CDU).

Como explicou Luís Paixão Martins hoje em dia as campanhas são muito mediáticas logo uma campanha eleitoral é uma campanha de comunicação que tem de ser preparada minuciosamente. Logo há que preparar os eventos onde participem os candidatos. Há relativamente pouco tempo dirigiu a campanha legislativa que culminou com a vitória de José Sócrates e a campanha presidencial que levou Cavaco Silva a Belém.
Diferenças entre os candidatos:
José Sócrates:

-Tem um chip mediático na cabeça

-Ele é o seu próprio consultor de marketing

Cavaco Silva

-Não tem relações informais com jornalistas

-Nunca teve uma boa relação com os media

-Nunca compreendeu o processo mediático

-Expressa-se muito com as mãos

Falando mais precisamente na sua vida pessoal, Luís disse que gosta de trabalhar imenso, chegar a horas as reuniões e estudar os problemas dos clientes. Gostava de escrever um livro sobre comunicação social onde teria « algumas coisas engraçadas para contar»como afirmou no auditório.

Quando pensamos em lançar um produto ou serviço ao mercado (aqui poderemos referir um candidato politico), deparamo-nos com um elemento de vital importância para qualquer organização – a marca. Conhecemos actualmente inúmeras marcas que se sobrepõem ao seu mercado de forma a tornarem-se sinónimo de uma categoria.

Conseguir o sucesso de uma marca não é tarefa fácil para nenhum profissional de mercado envolvido na criação e na sua elaboração. Inúmeros são os elementos e atributos necessários para dar início ao estudo de uma marca. Primeiramente, o profissional ou a equipa responsável, deve possuir o maior número de informações possíveis do mercado global, partindo para uma análise mais focada em seu segmento de actuação. Conhecer o mercado, os hábitos de consumo são elementos de grande importância, pois estarão fazendo parte de um processo delicado, que é desenvolver uma marca.

Todos os pontos devem ser analisados na elaboração de uma marca. Identificar mudanças no cenário onde a mesma será inserida é um elemento fundamental, pois sempre deverá existir uma dinâmica de interacção entre consumidor e marca. Praticar o benchmarking é outra importante peça na composição de um processo de elaboração e desenvolvimento de uma marca, principalmente nos seguimentos que possuem marcas tradicionais e fortes. Esta prática, bem como análises criteriosas devem ser levadas muito a sério, pois as linhas a serem traçadas neste momento, poderão alcançar o sucesso posterior.

Sempre que uma marca for desenvolvida, dever-se-á pensar em sua longevidade visualizando o futuro e as possíveis manutenções que poderão ser efectuadas numa eventual mudança do cenário em que ela estiver inserida. Com isso, desenvolver uma marca não limita-se apenas ao momento de sua criação, mas sim em um trabalho a longo prazo, pois inúmeras análises deverão ser realizadas, no mercado como em seus consumidores.

A questão da importância de uma marca diante do mercado é um ponto de forte preocupação entre as organizações. Esta preocupação ficou acentuada a ponto de surgirem inúmeras pesquisas de recordação de marcas, mensurando as mais lembradas na mente dos consumidores. Além destas, buscou-se identificar também quais marcas encontravam-se em segundo e terceiro posto, pois assim, os profissionais poderiam medir seus esforços ou redireccionar investimentos na busca de uma melhor posição. Ser o primeiro na mente do consumidor é um diferencial de grande relevância no mercado actual.

Existe actualmente, uma denominação para o conjunto de acções voltadas à construção de imagem - Branding - que vem do inglês brand e significa "marca",originalmente utilizado pelos norte-americanos nos processos de marcação a quente para identificação de gado. De forma sintetizada, pode-se conceituar o branding como o conjunto de ferramentas voltado para o principal activo da empresa: sua marca. Quando se refere a marca, refere-se a ideia de que se trata de uma logo na fachada de uma construção, ou em um desenho reunindo elementos colocados aleatoriamente ao qual se apresenta como logomarca.
Um projecto de marca é muito mais aprofundado e abrangente do que simplesmente a reunião de desenhos e efeitos de computador. Ele envolve muita pesquisa, experiência em design e estratégia, formulação e directrizes de aplicação. É importante que este trabalho seja realizado, ou pelo menos gerenciado, por profissionais com experiência em branding. O trabalho de branding envolve a definição do posicionamento, a criação do nome, da marca e a avaliação do brand equity.É importante ressaltar a maturidade na proposta do branding que, por sua vez, deixa a antiquada visão de market share e passa a valorizar o market value, dimensionando bem a sua fatia de mercado.
Com isso é possível estudar esta fatia pré-estabelecida com mais precisão. O que é possível dizer a respeito disso? - ao invés de pensar, no curto prazo, em atingir o topo no ranking de marcas (quantidade), pode preocupar-se com a clareza na percepção dos valores percebidos pela fatia de mercado pré - dimensionada (qualidade). Lembrando que não se faz referência a ficar o resto da vida com apenas aquela fatia de mercado, mas conquistar novas fatias em um processo gradativo, propiciará um investimento mais enxuto e uma fidelização deste mercado muito maior. Por exemplo quando a marca comercial ou politica teremos que fazer um rebranding ou seja mudar o nome, os valores e a imagem da empresa por exemplo.

O profissional de marketing, por melhor que seja, não pode basear as suas acções de posicionamento em experiências passadas. O mercado muda de forma muito rápida. O que era eficaz há dois anos pode ser uma tragédia nos dias de hoje. Principalmente quando se fala em sentimentos de consumidor.
A própria concorrência faz com que este cliente substitua os seus valores actuais por outros que satisfaçam melhor os seus desejos. Um exemplo da rápida mudança no mercado jovem são os considerados points (o ponto de encontro do momento), que possuem um curto ciclo de vida, devido à grande competitividade e variedade deste ramo. Os jovens costumam ser muito vulneráveis as mudanças de comportamento e desejos. Portanto, é imprescindível que se faça pesquisa antes de cada plano estratégico de marca. É importante também fazer pesquisas periódicas de manutenção e garantia de eficiência no andamento do projecto.

Outro ponto bastante comum nas empresas é quanto à avaliação das campanhas e das agências de propaganda. Há alguns paradigmas no processo de escolha das agências que estão sendo quebrados aos poucos pelas novas tendências no marketing. Uma delas é o próprio Branding. A falha destas organizações está na interpretação do que é criatividade. Temos que levar em consideração que nem toda a campanha considerada criativa é eficaz.
A diferença entre criatividade e eficácia é simples: uma propaganda exclusivamente criativa é aquela que serve para ganhar prémios, enquanto uma propaganda eficaz, sob aspecto do branding, é aquela que consegue atingir o coração e a mente do consumidor.Estratégias de Preço: uma armadilhaCom a enorme concorrência na área da educação superior que foi criada nos últimos anos, há uma tendência de algumas instituições a optarem por estratégias de preço com base na penetração de mercado, ou seja, praticam preços absurdamente abaixo do patamar sustentável visando prospectar o máximo de alunos e obter ganho em escala.
As instituições já existentes no mercado, sentindo-se ameaçadas por este comportamento, recaem no mesmo erro, gerando assim, um efeito bola de neve. Por outro lado, ao desenvolver-se um projecto de branding, acções promocionais envolvendo preços baixos e descontos no início do projecto, decretaria a falência do mesmo. Inúmeros fenómenos depõem contra as acções progressivas de preço.
A mais grave é que ela vicia o consumidor, que passa a leiloar o seu produto ou serviço. Com isso, podemos esquecer o factor fidelidade que, para o branding, é peça fundamental.O ideal é que os valores emocionais e até os racionais ultrapassem o nível de importância na hora da escolha, de modo com que o preço torne-se um elemento secundário. Parece utopia, mas há exemplos concretos disso, tais como os das instituições com a "marca" PUC, FGV, IBMEC, Mackenzie, entre outras.
A estratégia das extensões de marca tem uma outra vantagem que é o facto dela ser a própria acção ou seja torna-se fonte de receita. Mas para que esta estratégia seja bem sucedida, também é preciso que esteja prevista em um plano estratégico global, ligada a uma sucessão lógica de acções. Se uma dessas ferramentas de extensão for realizada de forma errada pode se tornar um problema, e até vir a comprometer todo o trabalho de construção de conceito. No caso da estratégia de extensão, a pesquisa se torna fundamental para a garantia do sucesso.O real objectivo do Branding é transformar a marca não apenas numa identidade bem aceita, mas numa forma de pensar e de ver o mundo. Numa ideologia.

Hoje, nenhuma empresa direcciona seus esforços de marketing exclusivamente para fins comerciais. Porém, o marketing institucional não está restrito à imagem nem à empresa, envolvendo o desenvolvimento de um produto especial, a ideia - da qual resulta a imagem - e também um universo variado de organizações, que atendem e influenciam públicos de interesse comum para elas mesmas e para as empresas. Assim são estabelecidos programas de apoio a instituições criadas por segmentos da sociedade, como museus, asilos, clubes, associações culturais e beneficentes, associações de classe, entidades ecológicas e partidos políticos.

Um dos preceitos da actuação do marketing institucional é identificar necessidades e tendências de mercado e procurar alternativas de implementar acções que proporcionem o crescimento dos negócios. Essas acções são fundamentadas em processos de comunicação, de relacionamento, criação de canais e geração de conteúdo, posicionando e fortalecimento da imagem.

Procedimentos

Os clientes podem observar a discussão por detrás de uma janela espelhada de um lado. Os participantes não podem observar para fora mas os clientes podem ver a discussão. Normalmente uma câmara de vídeo é usada para gravar a discussão para ser vista por outros que não puderam estar presentes no momento. Os pesquisadores examinam mais do que apenas as palavras. Eles estão interessados nas expressões faciais, linguagem corporal e dinâmica de grupo. Por vezes são criadas transcrições da gravação, nos pontos mais importantes.
Sérgio Silva
Nº135

Thursday, April 20, 2006

AULA 15

AS CAMPANHAS NEGATIVAS

Portugal assistiu nas últimas eleições legislativas a uma campanha eleitoral negativa, no verdadeiro significado da palavra "negativa"mostrando mais uma vez a crescente americanização da política portuguesa inspirada talvez em George W Bush.
Vamos abordar a forma como a campanha foi feita e as polémicas que criou.
Os rumores e boatos, os ataques pessoais, enfim toda a “campanha negativa”, são marcas inequívocas de uma importação do que de pior se faz na política americana há muitos anos como iremos analisar.
O próprio Pedro Santana Lopes admitiu isso durante o debate quando confrontado directamente, por Sócrates em relação ao celebre cartaz da JSD: “As campanhas em que se fala dos adversários são hábitos em todas as democracias, nomeadamente, na “americana”, respondeu o ainda primeiro-ministro. Mas, esta admissão é apenas a ponta do véu. Sócrates tem razão num ponto – nunca se assistira em Portugal a uma campanha de ataque sistemático ao adversário, onde mais de metade do esforço de propaganda do partido do governo faz referência directa às posições da oposição em vez de veicular as suas próprias ideias.
É certo que as americanices não são novidade nas campanhas políticas portuguesas. Dos chapéus de palha, da candidatura presidencial de Freitas do Amaral, em 1986, aos aventais de Paulo Portas, há muito que os políticos portugueses se inspiravam nas “campanhas eleitorais americanas”.
A novidade é a imitação das tácticas da “campanha suja”.Santana Lopes e os seus assessores, copiaram as tácticas usadas pelo Presidente Americano em 2000 e 2004, acreditando que assim ganharima as eleições. Santana acreditava que pode fazer em Portugal uma cópia de uma” campanha eleitoral americana”.

Campanhas sujas” e a História Americana

As campanhas eleitorais americanas, foram sempre marcadas, por intensos ataques pessoais. Segundo os historiadores, a mais “suja” campanha de sempre decorreu em 1828, entre Andrew Jackson e John Quincy Adams – que, em 1796, chegou a ser ministro plenipotenciário dos Estados Unidos, em Portugal. A candidatura de Jackson chamava a Adams “O Chulo”, enquanto um jornal favorável a Adams, acusava a mãe de Jackson de ser “uma vulgar prostituta trazida pelos soldados ingleses”, mas as calúnias não se ficaram por aqui:

- adúltero
- dono de escravos,
- bêbados,
- analfabetos,
- conflituosos
- ateus
Foram alguns dos insultos trocados entre dois candidatos e quando, deixaram de ter nomes para chamar um ao outro, Jackson e Adams, voltaram-se, para as mulheres de ambos. Estava dado o mote, para um futuro promissor que, atravessa agora o Atlântico com quase dois séculos de atraso.

Boatos e Rumores
Em 2000, depois do senador John McCain ter vencido folgadamente, as primárias Republicanas em New Hampshire, a “máquina venenosa”, montada por Karl Rove –o arquitecto das campanhas de Bush – avançou em força para a Carolina do Sul, onde as sondagens apontavam, para uma derrota quase certa. Anúncios televisivos da candidatura de Bush atacavam McCain directamente, mas isso não chegava, de uma forma consistente e misteriosa, começaram a circular, entre o eleitoradoRepublicano fotocópias de uma fotografia de família de McCain, onde o Senador aparecia abraçado à mulher e ao seu filho adoptivo vietnamita.
A insinuação era clara: num estado sulista onde a guerra civil americana ainda é referida como, “a guerra da agressão nortenha”, onde o racismo ainda marca a vida quotidiana, a imagem de McCain abraçado a um adolescente de pele escura valia mais que mil palavras.Convém dizer que John McCain é um dos mais, emblemáticos políticos americanos – um Republicano moderado, que sempre se recusou curvar à chamada “direita religiosa” e que, assina propostas legislativas ao lado dos Democratas.Mas Rove, não se deu por satisfeito.
Paralelamente, à fotocópia da foto de família, surgiu um rumor segundo o qual, John McCain,teria problemas de estabilidade mental e emocional, como consequência de ter passado cinco anos da sua vida, como prisioneiro de guerra no Vietname. Ao mesmo tempo, alistou a “direita religiosa” para atacar também John McCain.Os golpes contra McCain resultariam e George W. Bush ganhou as primárias na Carolina do Sul, uma vitória que abriria caminho para, a disputa da Casa Branca.É verdade que, sempre existiram boatos e rumores na política eleitoral Portuguesa, mas é também verdade, que estes nunca tinham sido utilizados de forma tão deliberada e sistemática pela máquina de um partido.

O célebre cartaz da JSD contra José Sócrates é a imagem de marca da campanha feita por Pedro Santana Lopes mas a sua responsabilidade é atribuída à JSD, ilibando assim o Primeiro-Ministro.
Da mesma forma, que George W. Bush lavou as mãos do anúncio televisivo, que questionava o serviço militar de John Kerry no Vietname. Curiosamente, o Republicano John McCain, que em 2000 sofrera na pele os efeitos da “máquina venenosa” de Bush, veio de imediato a público classificar os ataques como deploráveis e desonestos,, tal como, alguns destacados militantes do PSD criticam agora a estratégia de ataque sem precedentes claramente, escolhida por Santana Lopes, mas, tal como McCain o fez em 2004, também eles, ainda assim vão votar no candidato que desprezam.
A vantagem política dos rumores, boatos e ataques indirectos é o facto de ser impossível, combatê-los de forma eficaz. Responder a insinuações nem sempre é uma manobra inteligente, e por vezes, não contestar ainda é pior (Kerry, esperou três semanas), até responder às acusações dos” swift boat vets”, numa estratégia, que tentava ignorar os insultos ,mas, que acabaria por lhe sair” o tiro pela culatra”, dado o impacto que o anúncio teve junto do eleitorado.

Há mais exemplos de estratégias simétricas entre a campanha de Santana Lopes e a arquitectura desenhada por Karl Rove, para as candidaturas de George W. Bush – a insistência em “issue politics”, ou política de “causas”, é outro, mas, ficará para um post futuro.Mas, outros paralelos existem, para muitos, tal como John Kerry face a George W. Bush,, José Sócrates é também o não-Santana. Tal como Kerry, Sócrates é monocórdico, desprovido de carisma, quase robótico.

Pedro Santana Lopes, tal como Bush, transpira uma imagem de incompetência e não se importa de jogar sujo, de chafurdar na lama, se pensar que com isso poderá continuar a seguir em frente. Depois de tudo isto, Pedro Santana Lopes e os assessores de imagem, que o aconselham a enveredar pela “campanha suja”, decalcada da campanha eleitoral americana, esquecem-se de um pequeno pormenor, Portugal não é os Estados Unidos e a realidade – e as tradições – políticas e sociais dos dois países tornam a transposição pura e simples de estratégias simplesmente risíveisl. Para mais, a juntar às diferenças, George W. Bush teve Karl Rove e um partido unido em peso atrás de si. Pedro Santana Lopes não tem ninguém equiparável a Rove e o PSD, por sua causa, enfrenta uma profunda crise de identidade.



Luís Paixão Martins, responsável de marketing da campanha eleitoral do PS, explicou a campanha do PS: «Começámos por fazer esta investigação, depois criámos argumentos, imagens e peças de comunicação que foram sendo testadas em "focus group", em painéis de cidadãos que foram sendo confrontados com ideias» e acrescentou que «Nos estudos de opinião o desemprego apareceu destacado como a grande prioridade, enquanto uma questão como a justiça foi remetida para segundo plano» ... «Aliás os portugueses não querem as tão faladas reformas políticas se elas trouxerem instabilidade à sua vida».


As normas do financiamento de partidos e campanhas políticas é algo que levanta muitas dúvidas a sociedade portuguesa pois as pessoas apercebem-se do dinheiro gasto numa campanha eleitoral.
A campanha negativa com o intuito de desqualificar pessoal, profissional, ou pessoalmente, ou politicamente, o adversário tem-se revelado uma arma de campanha muito poderosa, mas cujo uso envolve riscos elevados. O mau uso desta arma volta-se sempre contra quem a utilizou. Uma das formas de reduzir este risco tem sido o humor.
Reveste-se o ataque ao adversário num formato humorístico, o que o torna menos agressivo e mais aceitável para o eleitor. O argumento é que o espectador é mais receptivo à informação negativa se ela for apresentada num formato humorístico do que se for exposta de uma maneira directa e agressiva.
Há estudos que confirmam que o ataque humorístico é lembrado por mais tempo e deixa uma impressão duradoura em quem o assiste. Mais que isto, se o ataque humorístico tiver sucesso fazendo o espectador rir, cria-se por meio dele uma cumplicidade, entre quem o produz , veicula , quem assiste, julga-o divertido e adequado. Implicitamente, o candidato atacado é também ridicularizado pode tornar-se objecto de abalar a seriedade da sua candidatura, assim a mensagem negativa é repassada, para o eleitor que a retêm e o autor do ataque que consegue evitar o ónus politico da sua acção exactamente pela cumplicidade que estabeleceu com o eleitor.
Se o eleitor achou graça riu e contou a outros, então perdeu a autoridade moral de censurar quem a fez.
Tudo isto pode ocorrer desde que o ataque humorístico tenha sucesso. É obvio que se o ataque for percebido como uma peça de mau gosto, sem graça e injusto, não se estabelece aquela cumplicidade com o espectador e a vítima do ataque dele não beneficia politicamente.
Um dos primeiros anúncios de ataque com características humorísticas foi produzido por Tony Schwarz, para a campanha de Hubert Humphrey e dirigido contra Spiro Agnew, companheiro de Richard Nixon em 1968 nos EUA, trata-se de uma peça muito curta, num formato minimalista, mas que, se tornou num clássico da publicidade politica.

A câmara começa focando um aparelho de televisão, padrão fechada nos botões e controles deixando de fora de visão a tela, ao mesmo tempo, ouve-se em off uma risada, que se transforma numa incontrolável gargalhada, enquanto a câmara move-se, para trás permitindo ver a imagem da tela.

Enquanto a gargalhada continua aparece na tela a mensagem: Agnew para Vice Presidente ?a gargalhada alcança o seu ponto máximo no momento em que, a mensagem ocupa toda a tela
A peça termina substituindo aquela mensagem por outra: isto seria engraçado se não fosse tão sério.
A mensagem era clara: colocar Spiro Agnew, tão próximo dos poderes da Presidência, era uma piada.



A mensagem também se aplica aos candidatos presidenciais. Soares precisa de abandonar a campanha negativa concentrada em Cavaco. Em certo sentido, faz mais ele campanha «por» Cavaco do que o próprio. E Cavaco precisa de se comprometer, tomar posição a propósito de problemas sensíveis, mesmo que não se enquadrem no âmbito do mandato do Presidente da República. Sim, a Ota precisa de uma análise custo-benefício. Seria pedir muito que fosse mais claro?”
Jonral de Negócios Luísa Bessa 24 de Novembro de 2005
«Começámos por fazer esta investigação, depois criámos argumentos, imagens e peças de comunicação que foram sendo testadas em "focus group", em painéis de cidadãos que foram sendo confrontados com ideias» e acrescentou que «Nos estudos de opinião o desemprego apareceu destacado como a grande prioridade, enquanto uma questão como a justiça foi remetida para segundo plano» ... «Aliás os portugueses não querem as tão faladas reformas políticas se elas trouxerem instabilidade à sua vida».
Luís Paixão Martins responsável de Marketing da campanha eleitoral do PS
Frase da Semana
Como afirmava peremptório, Ernesto (Che) Guevara ao seu amigo Alberto Granado, durante a longa jornada pela América do Sul, “Boatos não têm valor científico, há que fazer experiência.” (Chile, 1952)
Imagem da semana
Sérgio Silva
Nº135

Saturday, March 25, 2006

AULA 14




OS “TRUQUES” DO MARKETING POLITICO



Definições para marketing politico:


marketing político como um processo capaz de mudar a imagem do candidato, sua trajectória política, seu carisma, sua empatia com o eleitor, seu programa de governo, sua profissão, e os objectivos estabelecidos pelo seu partido político”.


"marketing político são as acções de um governo já instituído e o atendimento dos anseios e das necessidades do mercado (formado pelos eleitores). O marketing eleitoral é o esforço voltado para a movimentação da máquina partidária e do candidato para a sua eleição".
“ o marketing eleitoral é um serviço de “venda” e o marketing político é uma actividade de pós venda, podendo ser ampliado também para pré -venda”.

“marketing político como ferramenta indispensável, capaz de persuadir de forma positiva ou negativa o comportamento dos eleitores, através de elementos semânticos, simbólicos, comportamentais e tecnológicos, utilizados numa campanha eleitoral”.


“O marketing eleitoral tem propriedades típicas que o diferenciam do marketing de produtos. O candidato, ao contrário de um produto, tem pensamento próprio, uma história e deve seguir uma ideologia específica. Isto significa que nunca chegaremos a um político perfeito por todos os “consumidores”, ou seja, eleitores.
O que o marketing eleitoral permite é que as qualidades de um certo candidato, que satisfaçam um certo grupo de eleitores, sejam evidenciadas e destacadas por meio de uma linguagem adequada.
O marketing eleitoral não pode ser entendido como uma poção mágica que do nada faz surgir um candidato que apresente propostas que satisfaçam a todos os eleitores e resolvam todos os problemas da cidade ou da nação”.




Permanece, na classe política, um tabu em torno da associação das palavras "marketing" e "política". Tabu esse que gera alguns preconceitos, confusões e que propaga e enraíza, cada vez mais, a ideia de que o marketing político é a deturpação e corrupção da política, posto que nada mais é do que a venda do político em troca do voto, onde, via de regra, o eleitor sai “burlado”.
A embalagem, trabalhada pelo marketing, não reflecte o conteúdo. É a vitória da imagem sobre o discurso político.
Podemos definir marketing político como: saber informar e comunicar com o eleitor, é saber orientar e direccionar as ideias do partido/candidato/governo em função das necessidades que se detectam e definir claramente quem é o público a que se está a servir (o segmento de mercado) e potenciar relações duradouras com esse público alvo.
E tem no marketing eleitoral a sua faceta mais conhecida, o que muitas vezes leva a que sejam tidos como iguais.Em termos governamentais, o marketing político é o ajustar as medidas às necessidades da Nação, aos anseios dos cidadãos, no sentido de os servir sempre melhor. É aproximar o governo dos governados.

Em marketing político, a comunicação precisa de ser clara sem omissão de factos passados e presentes na carreira política do candidato. Lembrando que a omissão de insucessos, em determinadas ocasiões pode ser um “presente” para a oposição. Além de comprometer à imagem do político se não houver uma interpretação clara sobre a realidade proposta, o eleitor desloca sua atenção para aquele que passa credibilidade e realismo nas suas acções.

A pesquisa da opinião pública, revela alguns aspectos importantes para um bom desempenho das estratégias do marketing político, permite avaliar o desempenho do candidato ,a sua capacidade de liderança, habilidades, comunicação e seu carisma, ou seja, o grau de aceitação ou rejeição por parte do eleitor, além de avaliar a oposição e até mesmo identificar as necessidades da população. O sucesso de uma campanha eleitoral não se trata necessariamente de publicidade cara e sofisticada.
Qualquer candidato pode fazer marketing político com poucos recursos, mas desde que produza uma imagem vendável, ou seja, atraente e persuasiva, capaz de envolver o eleitor através das habilidades de comunicação verbal e não verbal. As estratégias do marketing político, entretanto, depende de múltiplos factores que podem variar no início, meio e fim de uma campanha, possibilitando reverter os resultados dias antes das eleições.



As técnicas e conceitos para uma campanha de marketing político:


É impossível pensar em eleições, nos dias de hoje, sem pensar numa estrutura de marketing actuando em todos os segmentos do eleitorado.
A propaganda eleitoral deixou de ser apenas o acto de imprimir alguns milhares de folhetos e colocar nos muros da cidade com o nome do candidato mas por detrás de umas eleições temos o marketing político, os candidatos, os partidos, as pesquisas de mercado e as estratégias de comunicação


Alguns pontos devem ser levados em conta para se preparar uma campanha:

- O candidato deve apresentar atributos positivos para o seu eleitorado.

- Os programas e projectos devem agregar valor para o eleitorado.

- O grupo político deve montar uma estrutura de informações capaz de fornecer um processo positivo para a opinião pública.

- Manter uma estrutura de comunicação capaz de construir uma imagem positiva.

- Ser verdadeiro, ético e comprometido.
Erro na campanha eleitoral

Não é grande presságio quando uma frase de campanha eleitoral é «Porque não».
Não convence os eleitores!
O candidato quer e precisa de comunicar com o seu eleitor e para isso apresenta os seus programas, ideias, conteúdos e compromissos. Cabe então ao eleitor analisar, assimilar, interpretar e colocar na sua mente a comunicação do candidato, para no dia da eleição responder a este apelo com o seu voto.
A grande finalidade do trabalho do candidato é receber o voto do eleitor. Caso o eleitor não "compre" a ideia vendida pelo candidato, com toda certeza vai exigir mais informações para poder tomar a decisão de voto.


O soundbite é uma forma de manipulação da opinião publica muito simples e eficaz: é, na linha da definição da estratégia de comunicação, quando se pensa nas palavras chave, e se seleccionam as ideias-chave, concretizar algumas palavras que sabe que vão directas ao coração do jornalista (o soundbite é mais do que um slogan, é a artificialização do discurso, da ideia à sua mínima expressão para prender a atenção dos jornalistas - algumas palavras resultam em cheio.

O soundbite funciona como um slogan logo quanto mais repetidos os slogans, maior será a probabilidade deles se tornarem autónomos em relação às pessoas, como se fossem verdades absolutas. Uma vez adquirido o status de transcendência, os slogans passam a ter mais importância do que a própria vida dos membros do grupo.
É próprio da natureza do slogan não exigir esforço de análise, mas causar repetições cada vez mais automáticas. Boa parte da vida humana contemporânea é guiada por sugestões e slogans. A sociedade é cada vez mais doutrinada a consumir informações sintéticas e slogans que passam a integrar o estilo, a linguagem e a cultura.

Mas existem aqueles políticos a quem toda a gente reconhece e conhece o Motivo de Voto, porque o desenvolveram e demonstraram, são os chamados políticos - marca:

- Vote Cavaco Silva, porque é sério, sisudo, tecnocrata e rigoroso.
- Vote Alberto João Jardim, porque faz o que não for preciso para defender a Madeira enquanto destino folclórico.
- Vote Avelino Ferreira Torres porque dá nas vistas numa terra que ninguém antes ouviu falar.
- Vote António Guterres porque é um tipo dialogante e de bom coração.
- Vote Santana Lopes porque gosta de festas .

Enfim, os exemplos escasseiam porque os políticos, ao contrário dos sabonetes, têm medo de se definir numa só frase, e para o marketing, o que não se define não existe.


As eleições autárquicas de 2005 ficaram marcadas pelo debate na SIC Notícias, entre Manuel Maria Carrilho e Carmona Rodrigues. O país inteiro e principalmente os lisboetas assistiram a “arrogância, altivez e desprezo pelas ideias do adversário” de Carrilho contrastando com a serenidade de Carmona.Apesar do “ruído” que dominou o confronto, das interrupções constantes e da falta de espaço para apresentar projectos para Lisboa, os espectadores puderam avaliar os planos de cada um para a capital.
Frente a um candidato que levava apenas como armas o conhecimento técnico e a consistência das suas propostas, esteve outro, atolado em dossier, escondido entre folhas e papéis que remexia nervosamente. Talvez tenha sido o peso desses “cinco quilos de papel” (como lhes chamou Carmona Rodrigues) que o impediu de estender a mão ao adversário no final do encontro… Sobressai, por isso, na memória dos lisboetas, um lamentável acto de má educação que Manuel Maria Carrilho acabaria por pagar com uma derrota esclarecedor). Nessa altura os órgãos de comunicação social foram unânimes ao considerar que o candidato do PS perdeu as eleições no momento em que se recusou apertar a mão ao seu adversário. Numa sociedade tradicionalista como a portuguesa esses “erros” são imperdoáveis.



entrevistas sobre o marketing politico:

http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT1087731-1655,00.html

http://www.intergraf.com.br/fique_por_dentro/18_junjul2004/entrevista.htm



No espaço de um ano, o potencial eleitoral do PS oscilou entre 1,902 milhões e 2,570 milhões de votantes e o potencial somado de PSD e CDS variou entre 2,053 milhões e 2,745 milhões de eleitores.A análise destes números poderá suscitar interpretações diversas, mas leva-nos a sustentar a ideia de que um contingente crescente de eleitores decide o seu sentido de voto independentemente das marcas partidárias, fazendo parte do grupo a que os especialistas de marketing político apelidam de swingers.Ora, se no "mercado" dos votos, um número crescente de eleitores faz a sua escolha por razões outras que não a fidelidade a um determinado partido, tal significa que as marcas partidárias estão em declínio, isto é, que a sua simples existência e afirmação é insuficiente para gerar o seu "consumo".

Consultor de Marketing, é director-geral da LPM Com - Marketing Institucional e trabalhou nas campanhas de José Sócrates e Cavaco Silva.







PENSAMENTO DA SEMANA
“O que eu espero senhores é que depois de um razoável período de discussão todo o mundo concorde comigo.”
Winston Churchill




IMAGEM DA SEMANA

Vítor Sérgio Silva
Nº135

Sunday, March 19, 2006

Aula 13

AS VÁRIAS” CAPAS” DA MANIPULAÇÃO


A manipulação existe desde o início do mundo. Estão intrinsecamente ligadas à vontade do domínio. Há manipulação sempre que alguém procura controlar o conhecimento do outro tendo em vista condicionar ou alterar o seu comportamento. As formas de manipulação ligadas a política são as mais conhecidas mas não são as únicas.

Os meios de comunicação têm um imenso poder de manipulação de informação e de formação de opinião sobre as pessoas. Nesses meios, geralmente, a verdade é ocultada ou transformada de acordo com o interesse dos detentores do poder. Existem algumas normas e princípios que regulamentam a conduta de um indivíduo no exercício da sua profissão (jornalistas e publicitários).

O profissional da comunicação tem em mãos a grande responsabilidade da ética, que pode ser lembrada através de dois argumentos: os efeitos sociais causados pela informação e a ineficácia do eventual desmentido. Apesar disso pode-se dizer que os efeitos dos media não são responsabilidade exclusiva do profissional da imprensa, mas sim consequência de uma produção colectiva.

Através do conhecimento dos mecanismos da informação é possível a descodificação do conteúdo e dos interesses que se filtram por trás das notícias. Outro ponto é destacar que não só o público é manipulado, mas também como a verdade pode ser distorcida dentro do próprio ambiente de trabalho.

O que devemos lembrar é que existem outros interesses que sustentam a necessidade de um facto ter cobertura jornalistica ou não. Os empregados das empresas jornalísticas têm supostamente, no processo de produção, controlo sobre a natureza, a qualidade e o significado do produto final.
A verdadeira situação, porém, é que são profissionais assalariados, logo são submetidos às leis, normas e éticas das empresas em que estão empregados.

Outro problema que os jornalistas enfrentam é a enorme quantidade de informação existente o que dificulta a busca da verdade. Algumas vezes, a impossibilidade de um jornalista chegar ao facto, faz com que ele tenha que procurar outra fonte. Isto gera uma dependência, às vezes considerável, entre o jornalista e a fonte de informação.

A fonte pode ser falsa, pois muitas vezes essas pessoas têm interesses a defender, e a informação é uma das armas que lhes permite alcançar os seus fins. Sendo assim, é um equívoco afirmar que toda a responsabilidade ética na comunicação é do profissional. Aqueles que fornecem a matéria-prima ao repórter, agem de forma decisiva no resultado final da produção informativa. Por isso o "comportamento ético" da fonte de informação é capaz de gerar grandes consequências.

Assim, a informação circula duas vezes : uma no momento das trocas entre um ou vários informantes (a fonte), e outra, depois do tratamento e das verificações, quando é dirigida ao público. Se o jornalista não tiver a possibilidade de verificar as informações obtidas através das fontes e tiver dúvidas quanto a veracidade dos factos, ele tem liberdade de recusar a publicação. Caso contrário, no início de cada matéria, deveria haver uma advertência avisando aos receptores da mensagem que é possível que as fontes de onde foram tiradas as informações não sejam verdadeiras.

O direito à vida privada é muito difícil de ser defendido quando se trata de uma personalidade pública. A intimidade dos outros é de grande interesse do público, que não respeita a integridade física daqueles que são o objecto de desejo das massas.

Actualmente, não apenas as grandes personalidades da sociedade são alvo dos paparazzis e do público. Com os reality-shows em evidência, pessoas que a pouco tempo viviam no anonimato ou que não tinham grande destaque nos media tornam-se famosos instantaneamente. Neste tipo de programa não existem fronteiras entre o público e o privado.

A pseudo-realidade mediatiza-se na forma dos reality shows, estes, estimulam novas simulações da vida real que sejam atraentes para os media. Crianças, jovens e adultos passam a moldar seu comportamento e valores pelo que vêem na televisão.
Hoje em dia a finalidade das televisões não é a educação ou a melhoria das pessoas, mas apenas o lucro.
Aquilo que oferecem às pessoas não é o melhor para a sua educação, mas apenas aquilo que as seduz e as mantém presas aos ecrãs de televisão, fazendo desta forma subir as audiências. A receita que utilizam é sempre a mesma: sexo, violência, sensacionalismo, etc. Uma receita que cansa, por isso mesmo obriga-as a um reforço contínuo das suas doses diárias (mais sexo, mais violência, mais sensacionalismo.

Com o aumento do número de canais de televisão, cresceu também o número de pessoas medíocres ou gente sem escrúpulos ligadas à produção de programas televisivos. Gente que apesar da sua enorme influência social, trabalha na mais completa impunidade e sem qualquer controlo democrático.
As pessoas mais vulneráveis a esta influência nefasta da televisão são as que possuem um nível de formação e maturidade insuficiente para estabelecerem uma distinção entre a ficção e a realidade.




Formas Difusas da Manipulação



Os processos de manipulação da informação são todavia mais amplos, e estão largamente disseminados nas sociedades democráticas ocidentais, utilizando-se técnicas muito sofisticadas, mas não menos eficazes, nomeadamente porque os cidadãos estão desprevenidos.

Para analisarmos estas formas difusas de manipulação temos que ter em conta algumas condições históricas que as possibilitaram e as tornam muito poderosas:

a) Condições Sociais. As actuais sociedades urbanas nasceram da desagregação das sociedades rurais onde predominavam fortes laços tradicionais (família e comunidade) contribuindo para o crescente isolamento dos indivíduos. Sem ligações a famílias, comunidades ou a nenhum território em concreto, tornaram-se desta forma extremamente permeáveis aos processos de manipulação. Não tendo ninguém com quem discutir a informação que recebem tendem a acreditar no que dizem os meios de comunicação.

b) Destruição dos Espaços Públicos. Esta profunda transformação social foi acompanhada pela destruição daquilo que se chama espaço público. Era nestes espaços públicos que se construía a Opinião Pública.

c) Meios de Comunicação. Com o crescente isolamento surgiu também a necessidade de se encontrar meios de comunicação entre os indivíduos. É neste contexto que foram criados e desenvolvidos os novos meios de comunicação de massa:

- Jornais. Ainda ligada aos espaços públicos, marca a transição para os novos processos de comunicação de massa.

- Rádio. Recepção privada, fora dos espaços públicos
- Cinema.
- Televisão. Recepção maioritariamente privada, fora dos espaços públicos.
- Internet
- Telemóveis, etc.

d) Informar ou fabricar opiniões ? Os novos meios de comunicação, promovidos e controlados pelos grandes grupos económicos, não se limitaram todavia a serem simples instrumentos de comunicação, passaram também a produzir opiniões de acordo com os interesses de quem os controla estes meios.

e) Ilusão de Discussão Pública. Para tornar convincente a opinião que produzem, como sendo a opinião dos cidadãos, os jornais ou a televisão utilizavam várias técnicas para criar a ilusão de que são meros instrumentos neutrais que veiculam apenas aquilo que estes discutem e defendem. Neste sentido simulam debates, realizam sondagem, realizam entrevistas ao vivo, etc. Os comentadores ou pessoas que nelas aparecem são frequentemente apresentados como os representantes dos cidadãos. Nada é dito porque foram escolhidos uns e não outros. A ideia é que o leitor ou o espectador tenha a ilusão que aquele que fala é o representante de todos os trabalhadores, ou de todos os patrões, os estudantes, as mulheres, etc.

f) Diversão. Uma das formas actualmente mais eficazes de manipular os cidadãos é através da diversão (distracção). Quando ocorrem certas situações poucos favoráveis a quem controla os diferentes poderes, os orgãos de comunicação social transformam-se frequentemente em orgãos de distracção: a produção de informações aumenta sem qualquer critério de relevância política, de modo a fazer passar despercebidos factos incómodos ou a torná-los insignificantes pelo excesso de informação.



MANIPULAÇÕES HISTÓRICAS



Os meses que precederam a ocupação do Iraque, em 19 de Março de 2003, assistiu-se a uma campanha de manipulação da informação a nível mundial.
As principais agências de comunicação social divulgavam informações provenientes das mais diversas fontes e origens todas num único sentido: sustentarem a tese dos EUA de que a o ditador do Iraque possuía armas de destruição que poderiam pôr em causa o mundo inteiro.
Em vários países, como Portugal, muitos jornalistas e especialistas em questões militares apoiaram activamente esta campanha preparando a opinião pública para aceitar a inevitabilidade de uma intervenção no Iraque, a fim de acabar com os arsenais e a produção das alegadas armas de destruição maciça.
Um ano depois da ocupação, os governos dos EUA e da Grã-Bretanha reconheciam que estas armas não existiam e que haviam enganado a opinião pública. Acusaram então os seus serviços de espionagem de lhes terem fornecido informações falsas.

Objectivo da manipulação: o controlo das enormes reservas de petróleo existentes no Iraque.


Logo após o atentado de Madrid de 11 de Março de 2004 o governo procurou deliberadamente manipular a comunicação social veiculando informações no sentido de fazer crer à população que a ETA era a autora do atentado (A ETA é uma organização fundada em finais dos 50 do século xx e que luta pela independência do país basco(Euskadia). O próprio primeiro ministro espanhol da altura José Maria Aznar pressionou os directores dos jornais para publicarem uma noticia que sabia que ser falsa.

Objectivo da manipulação: vencer as eleições


O incêndio do Reichtag (Parlamento da Alemanha) em 1933 prontamente atribuído aos judeus por Hitler foi o pretexto para difundir-se na caça aos judeus e ciganos na Alemanha. A imprensa alemã em grande parte dominada por Hitler estimulou de forma continuada o ódio a estes grupos sociais e preparou o clima social para a aceitação do seu extermínio.


Objectivo da manipulação: a conquista total do poder pelos nazis


Em 1801 a Espanha usurpou um importante concelho português Olivença. Durante dois séculos a população que não foi exterminada tem vindo a sofrer uma brutal manipulação da sua identidade cultural. A língua portuguesa foi proibida assim como as suas tradições. Até o nome do concelho das ruas e das suas povoações foram alterados de português para espanhol. A própria história de Olivença foi alterada de forma a legitimar a usurpação. Para este enorme processo de manipulação foram aliciados muitos portugueses que a troco de uns “trocados” participaram neste trabalho de manipulação.

Objectivo: legitimar a usurpação de um território português

Autor- Diogo Freitas do Amaral
Fonte - Revista Visão
Publicado em-20/03/2003


Autor- Fernando Sobral
Fonte- jornal de negocios
Publicado em-26/07/2005


PENSAMENTO DA SEMANA

"A propaganda conduziu-nos ao poder, a propaganda permitiu-nos conservar depois o poder, a propaganda, ainda, dar-nos-á a possibilidade de conquistar o mundo".
Adolfo Hitler (Congresso de Nuremberg em 1936)

IMAGEM DA SEMANA

Vítor Sérgio Silva
Nº-135